
O mercado de trabalho brasileiro é um verdadeiro parque de diversões emocional. A pessoa manda currículo, reza para alguém responder e, quando finalmente aparece um contato, vem junto um teste psicológico surpresa. Parece que algumas empresas confundem processo seletivo com prova do Enem misturada com pegadinha do Silvio Santos. A vaga é urgente, mas o candidato não pode ter vida, compromisso, horário ou preferência por mensagem. Tem que estar disponível como se fosse atendimento de emergência 24 horas, com direito a telepatia corporativa. E o detalhe mais importante: a entrevista é tão misteriosa que nem o próprio recrutador sabe explicar qual é o cargo.
Aí surge essa nova modalidade revolucionária: a vaga secreta. Ninguém pode saber nada, não pode perguntar nada e, se questionar demais, já é considerado difícil de lidar. É quase um relacionamento abusivo profissional, só faltou mandar um “quem quer trabalha, quem pergunta demais atrapalha”. No fundo, o sonho de algumas empresas é contratar um funcionário com experiência infinita, salário simbólico e capacidade de adivinhar funções. E tudo isso com simpatia obrigatória, claro. Porque, pelo visto, pedir informação sobre o emprego é um ato quase criminoso.






