Pessoa vai ao mercado comprar uma coisa e volta com tudo, menos o que precisava

Pessoa vai ao mercado comprar uma coisa e volta com tudo, menos o que precisava

Existe um fenômeno que a ciência ainda não explica direito: entrar no mercado precisando comprar UMA coisa e sair financiando um pequeno comércio local. A lista era objetiva, o plano era econômico, a disciplina estava em dia. Aí aparecem promoções misteriosas, produtos que nunca fizeram falta na vida e um impulso incontrolável de pensar “já que tô aqui…”. Quando percebe, o carrinho virou um resumo das decisões emocionais dos últimos seis meses. Três tipos de biscoito, molho que ninguém sabe usar, um pacote tamanho família sem família e absolutamente nenhum sinal do item principal.

O mercado também tem esse talento de apagar memórias. Você entra repetindo mentalmente o que precisa e, depois de vinte minutos encarando prateleira, começa uma jornada espiritual sem rumo. Parece que o objetivo deixa de ser comprar e vira colecionar ofertas. O pior não é o valor final. O pior é chegar em casa, guardar cinquenta coisas e descobrir que faltou exatamente aquilo que motivou toda a expedição. A sacola vem cheia, a consciência vem vazia e o cérebro já começa a planejar a volta. Mercado não vende produto. Mercado vende armadilha com iluminação boa.

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