A fase adulta e o golpe da promessa: cadê a recompensa por fazer tudo certo?

A fase adulta e o golpe da promessa: cadê a recompensa por fazer tudo certo?

A infância do brasileiro foi basicamente um pacote de promessas motivacionais sem garantia estendida. Ensinaram que bastava ser honesto, trabalhador e fazer tudo certinho que o universo abriria as portas do sucesso. Aí a pessoa cresce, paga boleto, enfrenta fila, responde e-mail e descobre que o mundo parece ter perdido o manual de instruções. O sujeito passa anos tentando fazer tudo certo enquanto observa alguém com a ética de um cupom vencido acumulando sorte, dinheiro e tranquilidade como se tivesse assinado um plano premium da vida.

O mais engraçado é que a vida adora testar a paciência de quem tenta andar na linha. Parece que existe uma competição secreta onde o prêmio vai para quem menos se preocupa. Enquanto um cidadão passa três dias revisando um documento, outro escreve tudo errado, entrega atrasado e ainda recebe elogio pela “autenticidade”. O brasileiro honesto não quer mansão, helicóptero ou ilha particular. Ele só queria uma pequena recompensa emocional para justificar todo o esforço. Nem precisava ser muito. Um vale-coxinha vitalício já ajudava. No fim, a gente continua tentando fazer o certo porque dormir tranquilo ainda é mais barato do que viver fugindo das próprias decisões. Mas que às vezes dá vontade de pedir reembolso da ingenuidade, dá.

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