O dia em que a revisão nota 10 perdeu para um detalhe de 10 centímetros

O dia em que a revisão nota 10 perdeu para um detalhe de 10 centímetros

Existe um tipo de pessoa que sai do posto de gasolina se sentindo engenheiro mecânico, piloto de Fórmula 1 e especialista em manutenção automotiva ao mesmo tempo. Confere os pneus, observa os níveis, analisa tudo com uma seriedade impressionante e termina a operação acreditando que o carro está pronto para atravessar o continente. O problema é que o cérebro humano tem um limite de tarefas simultâneas. Quando ele decide focar demais em um detalhe, outro foge pela porta dos fundos sem avisar. É o famoso fenômeno da autossabotagem premium: quanto maior a confiança, maior a chance de esquecer justamente o básico.

O brasileiro tem uma habilidade rara para transformar pequenas vitórias em derrotas criativas. Não basta esquecer alguma coisa. Tem que esquecer exatamente a única coisa que não poderia ser esquecida. É a mesma energia de quem faz backup e perde a senha, tranca a casa e deixa a chave dentro, ou anota um lembrete e esquece onde anotou. A tampa do tanque entra para essa categoria lendária dos erros que só aparecem depois que a pessoa já estava comemorando o sucesso da missão. No fim, fica a lição que ninguém aprende: confiança demais é o GPS oficial dos vacilos. E o azar adora esperar justamente o momento em que a gente pensa “agora deu tudo certo”.

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