A geração que passa mais tempo escolhendo filme do que assistindo

Os serviços de streaming conseguiram criar um fenômeno moderno impressionante: transformar a escolha de um filme em uma atividade mais longa do que assistir ao próprio filme. A pessoa senta com tempo livre, disposição e vontade de relaxar. Trinta minutos depois, continua analisando capas, lendo sinopses, comparando avaliações e rejeitando opções como se estivesse selecionando o próximo presidente do planeta. O catálogo tem tanta coisa que o cérebro entra em curto-circuito. Quando existiam apenas cinco canais na televisão, todo mundo assistia qualquer coisa. Agora existem dez mil opções e ninguém consegue decidir nada.
O mais engraçado é que a busca pelo filme perfeito quase sempre termina da mesma forma. A missão deixa de ser entretenimento e vira um trabalho de pesquisa acadêmica. O cidadão percorre ação, comédia, suspense, documentário, ficção científica e até categorias que nunca tinha ouvido falar. Quando finalmente encontra a obra-prima ideal, o corpo já encerrou o expediente e o sono assume o controle da situação. No fim, a única coisa consumida naquela noite foi bateria do controle remoto e energia mental. O filme continua intacto, a lista de favoritos cresce e a sensação de produtividade é exatamente zero. A verdadeira maratona não é assistir séries. É sobreviver ao catálogo.





