O perfume foi tanto que a vizinha achou que tinha derramado no chão

Existe uma categoria de pessoa que não usa perfume, usa arma química social. A intenção era sair cheiroso, elegante e com aquela confiança de quem poderia até ter trilha sonora própria. O problema é que existe uma linha muito fina entre “cheiroso” e “o elevador virou área de descontaminação”. Perfume demais não melhora a presença; ele anuncia a chegada com antecedência e ainda deixa lembrança depois que a pessoa já foi embora. É praticamente um outdoor aromático ambulante, só que ninguém pediu publicidade.
O brasileiro tem uma relação curiosa com perfume: ou passa três gotas e pergunta se alguém sentiu, ou toma banho de fragrância como se estivesse tentando apagar todos os pecados da semana. E quando alguém pergunta se derrubou perfume no chão, acabou a autoestima. Não basta estar cheiroso; ainda vem a suspeita de que o frasco inteiro foi usado como hidratante. O pior é que, depois de exagerar, não existe mais como voltar atrás. A pessoa pode até tentar fingir naturalidade, mas o cheiro já chegou antes dela em todos os cômodos. No fim, fica a lição: perfume bom é aquele que deixa vontade de chegar perto, não aquele que faz o vizinho procurar a origem do vazamento.





