O pão de queijo era a única esperança daquela manhã e também deu errado

Tem manhã que já começa com a vida fazendo questão de lembrar quem manda. A pessoa acorda atrasada, sai sem café e ainda acredita que um pão de queijo pode funcionar como combustível emocional. Só que existe uma regra não escrita do universo: quando tudo começa errado, qualquer alimento comprado na rua passa a ter grandes chances de virar investimento perdido. O pão de queijo nem chegou a cumprir sua missão mais básica, que era alimentar um cidadão faminto. Nasceu para ser café da manhã e terminou como contribuição involuntária para o asfalto.
O mais doloroso é que perder comida quando se está com fome é uma experiência capaz de transformar um adulto em filósofo por alguns minutos. De repente, surgem reflexões profundas sobre escolhas, destino e a necessidade urgente de nunca subestimar a gravidade de sair de casa sem comer. Porque fome deixa qualquer pequeno problema com proporções de tragédia nacional. Um simples pão de queijo no chão deixa de ser lanche e passa a representar todos os boletos, atrasos e decisões questionáveis acumulados ao longo da existência. E ainda existe a humilhação financeira: pagar por algo que você não conseguiu consumir. É praticamente comprar felicidade parcelada e receber apenas o comprovante.





