A assinatura esquecida que estava comendo o dinheiro sem ninguém perceber

Tem uma categoria de gasto que merece ser estudada pela ciência: a assinatura fantasma. É aquele serviço que ninguém lembra de ter contratado, ninguém usa, ninguém sente falta e, mesmo assim, todo mês aparece na conta com a tranquilidade de quem paga aluguel. O cidadão passa o dia inteiro economizando até no cafezinho, recusando qualquer besteira e fazendo contas para descobrir onde dá para cortar mais alguns reais. Enquanto isso, uma assinatura esquecida está vivendo sua melhor vida, recebendo dinheiro regularmente sem precisar entregar absolutamente nada.
O mais humilhante é perceber que a pessoa não perdeu dinheiro por comprar alguma coisa útil. Perdeu porque esqueceu que estava pagando por alguma coisa. É praticamente uma doação recorrente com cobrança automática. A economia doméstica brasileira chega naquele ponto em que o sujeito pensa duas vezes antes de gastar R$ 5, mas possui uma coleção de assinaturas que poderiam financiar um pequeno país. E sempre existe aquela justificativa clássica de que um dia vai usar. Esse “um dia” já dura três anos, mas continua firme, igual promessa de academia feita em janeiro. No fim, economizar dinheiro exige atenção, memória e, principalmente, coragem para encarar o extrato bancário sem descobrir novos moradores.





