O amor ficou brega ou a gente simplesmente desaprendeu a demonstrar?

O amor ficou brega ou a gente simplesmente desaprendeu a demonstrar?

Antigamente, o romance parecia ter orçamento próprio para fazer a pessoa passar vergonha. Carta escrita à mão, declaração pública, serenata, flores e toda aquela produção que hoje seria considerada exagerada, carente e, provavelmente, motivo suficiente para alguém pedir distância. O amor dos anos 90 tinha uma coisa perigosa chamada esforço. A pessoa realmente precisava demonstrar que estava interessada, em vez de simplesmente curtir uma foto de 2019 e esperar que o algoritmo resolvesse o resto.

Hoje existe uma verdadeira operação militar para não demonstrar demais. Sentir saudade? Melhor esperar algumas horas para responder. Gostar? Calma, não pode parecer emocionado. Querer encontrar? Tem que fingir que surgiu uma brecha misteriosa na agenda. O romance moderno parece uma negociação internacional, onde qualquer demonstração de afeto pode ser interpretada como fraqueza. Enquanto isso, o coração continua querendo um mínimo de carinho e atenção, mas o orgulho fica fiscalizando tudo. No fim, talvez o problema não seja que o amor ficou brega. É que a gente transformou demonstrar sentimento em atividade de alto risco. O romantismo não morreu; apenas foi substituído por visualização, curtida estratégica e aquele clássico “vamos vendo”.

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