A faxina que encontrou tudo, menos vontade de continuar

Faxina é uma atividade que começa com espírito de renovação e termina como uma expedição arqueológica. A promessa inicial costuma ser organizar a vida, mas no meio do caminho aparecem objetos desaparecidos desde governos passados, carregadores de aparelhos que já nem existem e moedas suficientes para financiar um pastel com caldo de cana. O mais curioso é que a bagunça funciona como um sistema de armazenamento alternativo. Quando tudo está desorganizado, a pessoa sabe exatamente onde não procurar. Quando resolve arrumar, perde a referência e começa uma crise existencial entre uma caixa velha e uma sacola misteriosa.
O verdadeiro prêmio da faxina nem sempre é encontrar algo perdido. Às vezes é recuperar a motivação que tinha desaparecido meses antes. O problema é que ela costuma ser encontrada apenas por alguns minutos, antes de sumir novamente em algum canto desconhecido da casa. Existe até uma teoria não comprovada de que a motivação para limpar é um objeto extremamente raro, visto pela última vez durante a compra dos produtos de limpeza. Depois disso, desaparece sem deixar rastros. A conclusão é simples: algumas pessoas não terminam a faxina porque ficam cansadas. Elas param porque já encontraram o item mais importante do dia e não querem correr o risco de perdê-lo de novo.





