As duas horas mais produtivas de uma máquina desligada

As duas horas mais produtivas de uma máquina desligada

Poucas derrotas são tão silenciosas quanto descobrir que você passou horas esperando uma máquina trabalhar enquanto ela estava praticando o esporte favorito dos eletrodomésticos: absolutamente nada. O mais impressionante é que a sensação de produtividade existiu o tempo todo. A mente já considerava a tarefa praticamente concluída, o cronograma do dia seguia firme e a roupa, teoricamente, já estava quase pronta para a próxima fase. O único detalhe esquecido era justamente o mais importante.

Existe um tipo de distração tão sofisticado que merece estudo científico. Não é esquecer onde deixou a chave ou perder o carregador. É completar mentalmente uma tarefa sem que ela tenha acontecido de verdade. O cérebro registra o compromisso, cria a lembrança e arquiva tudo como missão cumprida. Enquanto isso, a realidade observa em silêncio, aguardando o momento ideal para entregar a notícia.

O mais cruel é que duas horas parecem dez minutos quando estamos esperando algo terminar. Mas se alguém pedir para ficar sentado sem fazer nada pelo mesmo período, o tempo passa mais devagar que fila de repartição pública. Talvez essa seja a maior prova de que o universo tem senso de humor. Às vezes ele não cria problemas novos. Apenas deixa a gente fabricar os próprios com uma eficiência impressionante.

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