O fone novo conseguiu quebrar exatamente do mesmo jeito

O fone novo conseguiu quebrar exatamente do mesmo jeito

Tem gente que nasceu para viver experiências em estéreo. Outras parecem ter assinado um plano vitalício de áudio mono. O curioso é que alguns objetos desenvolvem uma fidelidade impressionante ao azar do dono. O fone antigo para de funcionar de um lado, o novo resolve homenagear o veterano e repete exatamente o mesmo defeito. Nem parece coincidência, parece atualização de firmware do universo. É aquele momento em que a pessoa olha para o produto recém-comprado e pensa que a garantia devia cobrir também falta de sorte. O pior é que sempre existe alguém dizendo que basta tomar mais cuidado, como se a gravidade aceitasse sugestões. Tem aparelho que mal sai da caixa e já começa a fazer estágio para virar sucata de luxo.

O brasileiro já transformou esse tipo de tragédia doméstica em rotina. Comprar um eletrônico novo dá a mesma sensação de adotar um filhote: nos primeiros dias todo mundo trata com carinho, limpa com a camiseta e guarda como um tesouro. Depois de uma única queda, nasce uma relação de resignação absoluta. A partir daí começam os testes malucos: mexe no cabo, inclina a cabeça, gira o conector, segura com fé e esperança para ver se o som volta. Quando funciona, ninguém sabe explicar o motivo. Quando para de novo, a culpa nunca é do fone, é da famosa zica profissional que acompanha algumas pessoas desde o nascimento. No fim, sobra apenas a certeza de que certos aparelhos não quebram… eles apenas escolhem tocar metade da música para lembrar que a vida gosta de economizar até no áudio.

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