O trânsito conseguiu acabar com a paciência de quem só queria chegar em casa

O trânsito conseguiu acabar com a paciência de quem só queria chegar em casa

O trânsito conseguiu transformar a paciência em combustível

Existe uma categoria de sofrimento urbano que deveria valer adicional de insalubridade emocional: ficar preso no trânsito enquanto um grupo de pessoas resolve transformar a rua em palco oficial da gritaria. Não basta o congestionamento, o calor, o atraso e aquela sensação maravilhosa de que todos os carros ao redor foram convocados exclusivamente para testar sua sanidade. Sempre aparece alguém com energia suficiente para discutir por qualquer motivo, como se a faixa de pedestres fosse uma arena e a buzina tivesse virado instrumento de debate.

O mais impressionante é como a paciência brasileira funciona em etapas. Primeiro vem a resignação: “faz parte”. Depois surge a irritação: “não é possível”. Em seguida aparece aquele silêncio perigoso de quem já está negociando internamente com todos os santos disponíveis. Quando a tolerância acaba, até uma simples buzina parece trilha sonora de uma guerra civil particular. E tudo isso numa terça-feira comum, porque aparentemente o cidadão brasileiro não precisa de grandes acontecimentos para atingir o limite. Basta meia dúzia de pessoas berrando, um trânsito parado e alguém atravessando a rua como se tivesse comprado o asfalto. No fim, o verdadeiro milagre é chegar em casa sem precisar de férias, terapia e um volante novo.

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