A refeição que começou como prêmio e terminou em arrependimento

A refeição que começou como prêmio e terminou em arrependimento

A imagem resume perfeitamente aquela filosofia brasileira de viver o presente e deixar o arrependimento para depois. Existe um momento em que a pessoa decide que merece tudo: hambúrguer, batata, sobremesa, refrigerante e provavelmente mais alguma coisa que nem estava no cardápio. Afinal, se a vida é curta, nada mais justo do que transformar uma refeição em um festival gastronômico capaz de alimentar uma família de quatro pessoas. O problema é que o corpo recebe essa declaração de liberdade com a mesma empolgação de quem recebe um boleto inesperado.

Depois vem aquela clássica sensação de que a cama ou o sofá são os únicos lugares possíveis para continuar existindo. A lista de tarefas permanece intacta, olhando de longe com cara de cobrança: estudar, trabalhar, treinar, resolver a vida e, se sobrar tempo, descobrir onde foi parar a disposição. O curioso é que a força de vontade sempre aparece no dia seguinte, junto com aquela promessa universal de recomeço. Só existe um pequeno detalhe: amanhã também costuma estar ocupado. E assim nasce o ciclo perfeito: comer como se não houvesse amanhã, descansar como se não houvesse trabalho e prometer mudança como se a segunda-feira tivesse poderes sobrenaturais.

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