O passeio que terminou com um novo membro da família

O passeio que terminou com um novo membro da família

Tem uma coisa que o brasileiro aprende cedo: sair de casa sem intenção nenhuma é exatamente como surgem os maiores compromissos da vida. A pessoa pode começar o dia pensando em dar apenas uma volta e terminar emocionalmente responsável por um ser de quatro patas. E quando aparece um gato de três cores, acabou a neutralidade. O cérebro imediatamente começa a procurar justificativas para transformar um encontro aleatório em uma nova aquisição familiar. É impressionante como a palavra “adoção” consegue aparecer na mente antes mesmo de qualquer planejamento, orçamento ou autorização dos moradores da casa.

O mais engraçado é que ninguém precisa procurar um gato para ter um. Basta ter coração mole e passar pela rua certa. O sujeito começa com um simples passeio e, em poucos minutos, já está mentalmente reorganizando a casa para acomodar mais um integrante. Ração entra na lista de compras, veterinário vira preocupação futura e o sofá automaticamente deixa de ser propriedade humana. Gato não é exatamente adotado; ele simplesmente identifica uma residência disponível e começa o processo seletivo. Quando a pessoa percebe, já existe um novo membro da família, provavelmente com nome escolhido, lugar favorito no sofá e uma certeza absoluta de que a casa agora pertence a ele. No fim, o passeio não terminou com um gato encontrado. Terminou com um humano encontrado pelo gato.

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