Se a inflação continuar assim, até o dinheiro brasileiro vai precisar de uma repaginada

Se a inflação continuar assim, até o dinheiro brasileiro vai precisar de uma repaginada

O brasileiro já está tão acostumado com a inflação que começou a desenvolver novas exigências para não sair perdendo. Se o dinheiro perde valor, pelo menos que tenha uma aparência digna de coleção! Afinal, não basta enfrentar preços absurdos no supermercado, contas chegando como se fossem convidados VIP e o salário desaparecendo antes do dia 15. Agora, a esperança é que as notas acompanhem a evolução da criatividade nacional. Uma arara-azul estampada em uma nota de R$ 500 e uma harpia em uma de R$ 1.000 seriam praticamente obras de arte. Pelo menos, na hora de pagar uma conta, daria até vontade de admirar o dinheiro antes de entregá-lo ao estabelecimento.

O problema é que uma nota de R$ 1.000 provavelmente duraria menos na carteira do que uma promoção de Black Friday. O brasileiro receberia o salário em duas notas e, mesmo assim, continuaria fazendo contas para descobrir como chegou ao fim do mês sem dinheiro. Imagine a inflação mantendo o mesmo ritmo e o país precisando lançar notas cada vez maiores. Daqui a pouco, teremos cédulas de R$ 5.000 com onças, R$ 10.000 com tucanos e uma nota de R$ 50.000 com o próprio brasileiro segurando a carteira vazia. Seria uma coleção belíssima, cheia de animais nacionais e com um pequeno detalhe: ninguém teria coragem de gastar, porque até o dinheiro precisaria ser tratado como patrimônio histórico. Pelo menos a inflação teria uma vantagem: deixaria nossas cédulas muito mais bonitas!

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