O brasileiro que sente saudade de um passado que ele não sobreviveria nem um dia

O brasileiro tem um talento especial pra romantizar qualquer passado, principalmente aquele que ele claramente não viveria nem por 10 minutos. É impressionante como “antigamente era melhor” sempre aparece quando o Wi-Fi cai por cinco segundos ou o aplicativo demora três pra carregar. A nostalgia virou quase um filtro automático da mente, tipo Instagram emocional: apaga o sofrimento, mantém só a parte bonita e ainda coloca uma musiquinha de fundo. Porque na teoria, tudo parece mais simples. Na prática, simples mesmo era só a quantidade de conforto: zero.
Aí você vai puxando essa linha do tempo da saudade e percebe que o “tempo bom” sempre envolve trabalhar mais, sofrer mais e reclamar menos, o que curiosamente ninguém quer testar hoje. É fácil sentir falta de algo quando o ar-condicionado tá ligado e a comida chega por delivery. No fundo, o discurso não é sobre o passado ser melhor, é só sobre o presente ser levemente inconveniente. Porque se fosse pra escolher mesmo, ninguém larga a senha do Wi-Fi pra viver no modo sobrevivência raiz. Saudade boa é aquela que não exige esforço, só comentário na internet.





