Homem entra no elevador errado e desbloqueia viagem surpresa sem sair da calçada

Homem entra no elevador errado e desbloqueia viagem surpresa sem sair da calçada

Tem um nível de distração que já deixou de ser erro e virou experiência imersiva. Entrar num elevador errado não é apenas se perder. É acreditar tanto no próprio roteiro que o universo fica com vergonha de interromper. O cérebro entra naquele modo automático premium: aperta botão, cruza os braços e segue convicto de que tudo está sob controle. O problema é que a confiança humana é perigosíssima quando não vem acompanhada do detalhe mínimo chamado localização. E nada supera descobrir tarde demais que você não está no prédio errado. Você está vivendo uma expansão não autorizada da sua rotina.

O mais bonito dessa situação é que elevador tem um poder especial de fazer a pessoa parecer que sabe exatamente o que está fazendo, mesmo completamente perdida. Você sai com postura de morador antigo e, cinco segundos depois, percebe que não reconhece nem o cheiro do corredor. Aí começa aquele teatro interno de fingir que foi tudo planejado. Porque admitir que entrou no elevador do prédio vizinho machuca mais que bater o dedo na quina da cama. O brasileiro não gosta de errar. Gosta de transformar erro em passeio técnico. No fim, o problema nunca é se perder. É ter que voltar com cara de quem estava fazendo vistoria predial voluntária.

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