O date virou plano de contingência e o brasileiro perdeu o medo de admitir isso

O date virou plano de contingência e o brasileiro perdeu o medo de admitir isso

O brasileiro moderno transformou relacionamento em sistema de delivery. Se um pedido atrasa cinco minutos, já abre outro aplicativo. O romantismo morreu e foi substituído pela logística afetiva. A pessoa não quer compromisso, quer otimização de agenda. Existe uma frieza empresarial nisso de deixar o “plano B” aquecido igual marmita no micro-ondas emocional. E o pior é a sinceridade tranquila, quase corporativa, como quem tá administrando estoque de atenção. O cidadão não sofre por amor, sofre por cancelamento de horário.

E convenhamos: o ser humano desaprendeu completamente a disfarçar. Antigamente tinha mistério, enrolação, indireta, poesia ruim. Hoje a sinceridade vem igual boleto por e-mail, sem preparo psicológico nenhum. O cidadão já deixa claro que o coração dele trabalha em escala 6×1 e ninguém pode desperdiçar vaga disponível. Parece até aplicativo de corrida: se um motorista cancelar, o sistema automaticamente procura outro próximo da região. O romance virou rodízio emocional patrocinado pela ansiedade e pela falta de paciência. E ainda tem quem diga que a geração atual não sabe ser objetiva. Objetiva até demais. A autoestima da pessoa vai embora mais rápido que promoção relâmpago de internet.

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