Passei 20 minutos procurando meus óculos e a única coisa perdida era minha dignidade

Passei 20 minutos procurando meus óculos e a única coisa perdida era minha dignidade

Existe um momento da vida em que a memória decide pedir férias sem avisar. Não é esquecimento comum, daqueles de deixar a chave na mesa ou esquecer a senha do Wi-Fi. É um nível avançado de distração, quase uma modalidade olímpica. Procurar os óculos enquanto está usando os próprios óculos é uma experiência tão universal que deveria servir como teste oficial para descobrir quem já atingiu a fase adulta completa. Afinal, nada representa melhor o ser humano moderno do que gastar energia procurando uma coisa que está literalmente ajudando na busca.

O mais impressionante é a confiança durante a investigação. A pessoa revira a casa mentalmente, desconfia dos familiares, culpa o sofá, a geladeira, a física quântica e até fenômenos sobrenaturais. Em algum momento surge a teoria de que os óculos criaram pernas e foram viver uma nova vida em outro cômodo. Aí vem a descoberta humilhante: o objeto desaparecido nunca desapareceu. O cérebro simplesmente abriu uma aba demais e travou. Esse tipo de situação é a prova de que envelhecer não significa ganhar sabedoria. Em muitos casos, significa apenas perder coisas sem tirá-las do lugar. Pelo menos é um erro econômico: diferente de perder dinheiro, a pessoa encontra exatamente aquilo que nunca perdeu.

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