Nem o Predador enfrenta a lombar de um adulto sedentário

Nem o Predador enfrenta a lombar de um adulto sedentário

A natureza passou milhões de anos aperfeiçoando predadores velozes, dentes afiados e instintos impecáveis, mas esqueceu de considerar o ser humano depois dos 30 anos. O cidadão consegue transformar uma corrida de quinze segundos em um documentário completo sobre ortopedia. O joelho estala, a lombar protesta, o ombro lembra daquela mudança feita em 2018 e até um músculo que nem sabia que existia resolve pedir demissão. O predador nem precisa gastar energia. Basta esperar alguns metros que a própria coluna já começa a negociar a rendição. A evolução criou o caçador perfeito, mas o sedentarismo criou uma presa ainda mais eficiente. O verdadeiro inimigo já não é quem está correndo atrás, e sim a dor misteriosa que aparece depois de levantar do sofá rápido demais.

O mais engraçado é que ninguém aceita a realidade. Todo mundo ainda acredita que tem o preparo físico de um filme de ação, até precisar subir dois lances de escada e descobrir que o pulmão entrou em modo economia de bateria. A idade também é especialista em desbloquear lesões inéditas. Existe gente que acorda travada por causa da posição errada do travesseiro e passa o resto do dia andando igual um robô enferrujado. Se um extraterrestre observasse a humanidade, provavelmente concluiria que nossa maior fraqueza não é um monstro, um alienígena ou um vilão de cinema. É o combo infalível formado por má postura, sedentarismo e aquela confiança absurda de quem jura que ainda consegue correr igual aos tempos da escola. No fim, o maior predador continua sendo a própria coluna.

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